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100 anos do fascismo: série discute influência da ideologia de Mussolini à atualidade

Na primeira reportagem, as origens e os significados do fascismo

Mussolini em visita à Alemanha
Mussolini em visita à Alemanha Bundesarchiv, Bild 183-2007-1022-506 I CC-BY-SA 3.0

O presidente Jair Bolsonaro pode ser rotulado como fascista? E quanto a outros nomes que representam a extrema direita, como o presidente norte-americano Donald Trump ou o húngaro Viktor Orbán? 

No ano em que a fundação do grupo fascista de Mussolini completa 100 anos, o termo segue sendo utilizado mundo afora. Mas não sem controvérsias: afinal, o uso que vem sendo feito da definição na atualidade é correto ou equivocado? 

A resposta para essa pergunta é tão complexa quanto o próprio significado do termo fascismo. Para compreender melhor toda essa discussão, o Jornal UFMG veicula a partir de hoje a série Fascismo: 100 anos. Na primeira reportagem, as origens e as características do fascismo.

Em 1919, Benito Mussolini reuniu ex-combatentes da Primeira Guerra Mundial para fundar o grupo Fasci Italiani di combattimento, uma espécie de anti-partido, contra as organizações políticas tradicionais. A Itália passava por uma crise política e social. A Revolução Russa de 1917 era uma sombra, mas a esquerda italiana estava dividida e não teve forças para barrar a ascensão do fascismo. 

Em 1925, com apoio do rei, dos empresários e até do Vaticano, e pelas vias legais – por meio de uma eleição – o Duce italiano e suas ideias chegam ao poder. A Itália se tornaria um estado totalitário que serviu de inspiração para outros regimes autoritários da Alemanha de Hitler a Portugal de Antônio Salazar – só para citar duas experiências. 

Mas o que é o fascismo? Mesmo cem anos após a criação do grupo de Mussolini, especialistas são praticamente unânimes em afirmar que a resposta para essa questão é extremamente complexa.

Ouça a reportagem de Samuel Sousa

(*Com produção de Paula Alkmim)

Prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald em 1941.
Holocausto foi uma das consequências do facismo. Prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald em 1941. Domínio Público

Nós pedimos a todos os entrevistados da série que explicassem o que é fascismo. Confira as respostas:

“Temos que falar em fascismos em vez de fascismo”:

Professor italiano Gianni Fresu, doutor em filosofia e professor da Universidade Federal de Uberlândia.

“O partido significado como Estado”: 

Professor de Moderno Contemporâneo no campus São Francisco da Universidade Estadual de Montes Claros, Felipe Cazetta

“É preciso diferenciar movimentos fascistas de regimes fascistas”: 

Professor do curso de história da Universidade Estadual do Oeste do Paraná Gilberto Calil

“Não existe uma definição universalmente aceita do fascismo”:

Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFMG João Teófilo

“No século XX, além do socialismo e do liberalismo, havia uma terceira corrente política: o fascismo”:

Coordenador do Grupo de Estudos História, Direita e Autoritarismo, Renato Dotta

 “O fascismo reuniu várias correntes no mesmo feixe”:

Professor italiano da Universidade Federal do Ceará Fábio Gentile

“O fascismo virou um xingamento”: 

Professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília Paulo Nascimento

O fascismo é uma ideologia de direita ou de esquerda? Esse é o tema da segunda reportagem da série Fascismo: 100 anos que irá ao ar no Jornal UFMG, a partir de 12h30.