Ensino

Revista Marta discute presença feminina na arquibancada e no jornalismo esportivo

Resultado de TCC produzido por duas jornalistas formadas pela UFMG, iniciativa inspirou criação de disciplina sobre comunicação e esporte

Elas ingressaram no curso de Jornalismo da UFMG com um projeto bem delineado: construir suas carreiras profissionais no jornalismo esportivo. Era, sim, um sonho, mas Paola Laredo e Viviane Andrade tinham consciência de que esse ambiente, majoritariamente masculino, é refratário à presença feminina. E decidiram discutir o fenômeno em seu trabalho de conclusão de curso, que deu origem à Revista Marta.

A iniciativa inspirou a professora Ana Carolina Vimieiro, do Departamento de Comunicação Social (DCS), vinculada ao grupo de estudos Coletivo Marta, a fazer dessa edição piloto o pontapé inicial de um projeto de ensino encampado pelo departamento. A intenção é que, já no próximo semestre, sejam produzidas duas edições, como parte das atividades da disciplina Comunicação e esporte, que será ofertada aos estudantes dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas.

Assédio
Um dos destaques da edição piloto da Revista Marta – o nome é uma clara homenagem à futebolista brasileira eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo – é uma pesquisa sobre assédio no esporte feita com torcedoras e profissionais. Segundo Paola Laredo, em pouco tempo, cerca de 400 mulheres responderam ao questionário lançado na internet. "E o resultado impressiona, apesar de não surpreender: 99% delas afirmaram ter sofrido assédio ou preconceito”, resume a jornalista.

Para a professora Ana Carolina Vimieiro, o projeto de Paola e Viviane é mais uma evidência do crescente interesse das mulheres pelo esporte, inclusive na academia. Como exemplos, ela cita o livro-reportagem sobre torcedoras mineiras que concorre ao prêmio Expocom, o portal de notícias Minas em Campo, que cobre apenas o futebol feminino, e o projeto do Observatório das Desigualdades de Gênero no Esporte.

Todas essas iniciativas, em certa medida, abordam questões como o preconceito e a dificuldade de inserção da mulher no ambiente esportivo – e oferecem respostas a essas questões. “É importante avaliar, por exemplo, se é aceitável que 85% das notícias sejam sobre modalidades masculinas e que menos de 10% das notícias sejam assinadas por mulheres”, problematiza a professora.

Entrevistadas: Ana Carolina Vimieiro, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG, Paola Laredo (jornalista) e Viviane Andrade (jornalista) 

Equipe: Maria Carolina Martins (produção), Marcia Botelho (edição de imagens) e Jessika Viveiros (edição de conteúdo)