Arte e Cultura

​Cenário do funk e do rap é tema de roda de conversa no Festival de Verão

Jornalista, geógrafa e ator apresentam diferentes pontos de vista sobre a arte da periferia em Belo Horizonte

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Thiago Alberto: visibilidadeFoto: Raphaella Dias / UFMG
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Luísa Cristina: normas e violênciasFoto: Raphaella Dias / UFMG
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Márcio Murari: influência para a juventudeFoto: Raphaella Dias / UFMG

Durante a tarde da terça-feira (4), a roda de conversa Pop político: funk e rap em Belo Horizonte reuniu o jornalista Thiago Pereira Alberto, a geógrafa Luísa Cristina Nonato e o ator Márcio Murari na discussão sobre o cenário musical da periferia da capital. Os especialistas exploraram a trajetória do rap, do funk, do hip hop e de outros movimentos da juventude suburbana, como o grafite, com base em suas vivências pessoais e percepções profissionais.Acadêmico e pesquisador da cultura pop, Thiago Alberto 

fez um apanhado histórico da presença daqueles estilos musicais no subúrbio da cidade, fenômeno inaugurado, segundo ele, em meados na década de 1980, ocasião em que provavelmente ocorreu a primeira roda de break na região da Savassi.

De acordo com o jornalista, o cenário para essas danças e ritmos passa hoje por seu momento de “maior credibilidade”. “Nunca houve tanta visibilidade e exposição na mídia, materializada em visualizações no YouTube e em outros suportes”, afirma, mencionando o duelo de MCs como o evento mais emblemático e os artistas Djonga e Flávio Renegado, nascidos na cidade, como os principais expoentes do movimento.

Imersão
Graduada em Geografia pela UFMG, Luísa Cristina apresentou as reflexões de sua monografia de conclusão de curso. Ela empreendeu uma pesquisa etnográfica no Aglomerado da Serra, comunidade onde reside, com foco nas experiências de jovens frequentadores do baile funk que acontece semanalmente no local. “Meu objetivo foi entender como esses adolescentes e jovens ocupam o espaço e percebem o Aglomerado, como o baile acontece e quais as normas instituídas no território, pontuou”.

De acordo com a geógrafa, seus personagens relataram as violências sofridas dentro e fora da comunidade, incluindo atos de racismo institucional, violência policial, machismo e homofobia. “O baile é sediado em um bar, mas se expande para ruas, becos e uma praça nas imediações. Ao longo do trabalho, apresentei minha imersão, despertando a reflexão sobre territorialidades”, disse.

Estilo
Em sua exposição, o ator Márcio Murari enfatizou que a cultura do rap, do funk e do hip hop, desde que emergiu no Brasil e no mundo, esteve ligada a estruturas marginais, como a prática da pixação, e influenciou o modo de pensar e de se vestir dos jovens.  

De acordo com o artista, ao contrário do que se costuma pensar hoje em dia, os bailes das décadas de 1980 e 1990 já mobilizavam os jovens belo-horizontinos “de segunda-feira a domingo”. “Antes das comunicações digitais, as rádios e os filmes ditavam as tendências para a juventude”, lembra. Para Murari, o filme norte-americano The warriors (Os selvagens da noite), de Walter Hill (1979), representou um marco nesse contexto, já que apresentou para o Brasil o cotidiano das gangues da periferia de Nova York.

A programação do Festival de Verão segue até amanhã.

Matheus Espíndola