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Estudo constata dificuldade de inserção da população trans no mercado de trabalho

Discriminação e outros abusos são situações comuns enfrentadas no ambiente corporativo

Ter um emprego com carteira assinada não é a única dificuldade enfrentada por travestis e transexuais no mercado de trabalho
Ter um emprego com carteira assinada não é a única dificuldade enfrentada por travestis e transexuais no mercado de trabalho EBC

Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostram que 90% das travestis e transexuais no Brasil estão ou já estiveram no universo da prostituição, o que revela a dificuldade que essa população enfrenta para ter acesso ao mercado formal de trabalho.

No entanto, esse não é o único obstáculo para que travestis e transexuais tenham o direito a um trabalho digno reconhecido. Uma vez empregados, muitas vezes sofrem discriminações e outros abusos. Essa é uma das constatações da dissertação E travesti, trabalha?” divisão transexual do trabalho e messianismo patronal, desenvolvida na Faculdade de Direito, com base em entrevistas com travestis e transexuais de Minas, São Paulo e Espírito Santo. 

Apoiada nos relatos das vivências dessas pessoas e em outros estudos desenvolvidos sobre o tema, a dissertação indica os fatores que contribuem para a marginalização de travestis e transexuais no mercado profissional. De acordo com o autor do estudo, João Felipe Cavalcante, a concepção cultural e histórica do emprego como uma "virtude" e do empregador como um “salvador” contribui para que as discriminações que as pessoas transexuais e travestis sofrem diariamente sejam reverberadas no ambiente de trabalho.

Uma das principais motivações para o estudo veio do contato de João Felipe Cavalcante, ainda na graduação, com o Programa de Extensão Diverso UFMG - Núcleo Jurídico de Diversidade Sexual e de Gênero da Faculdade de Direito. O Programa tem o objetivo de combater discriminações e violências sofridas por mulheres e pessoas LGBT em razão de gênero e de sexualidade e visa a proteção jurídica desses grupos. 

A partir dessa experiência, o pesquisador viu a necessidade de ações que pudessem assegurar que transexuais e travestis não fossem subordinadas nas relações de trabalho quando têm uma oportunidade de emprego. Como conclusão do estudo, João Felipe Cavalcante constatou a necessidade de um investimento na capacitação dos vários setores das empresas na recepção e na inserção dos funcionários transexuais no ambiente corporativo.

Ouça a reportagem de Larissa Reis