Notícias Externas

'Outra estação' aborda desafios enfrentados pelas mulheres na política

Média mundial da presença feminina no parlamento é de 30%; no Brasil, índice só atingiu 15% nas eleições de 2018

Como parte das reflexões do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o episódio desta semana do Outra Estação, da Rádio UFMG Educativa, aborda as dificuldades que as mulheres enfrentam para acessar os espaços formais de poder na política: desde a histórica exclusão no direito ao voto, conquistado somente em 1932, até as práticas rotineiras de preconceito e intimidação que sofrem as poucas mulheres eleitas no Brasil, passando pelo acesso limitado que candidatas ainda têm aos recursos para financiamento das campanhas. 

O programa também destaca estratégias de resistência para enfrentar esse quadro:

O Brasil ocupa a 140ª posição no ranking mundial de representação feminina, entre 193 países monitorados pela União Interparlamentar, órgão ligado à Organização das Nações Unidas. O indicador leva em conta o percentual de mulheres nas câmaras legislativas federais em janeiro de 2020. A posição é desconfortável: atrás de países que tradicionalmente renegam direitos à mulher, como a Arábia Saudita, além de ostentar o pior desempenho na América do Sul. Na Bolívia, por exemplo, o parlamento é composto por 53% de mulheres; na Argentina, esse índice é de 40%. 

A professora Marlise Matos, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem) da UFMG, é uma das entrevistadas do programa. Ela defende participação paritária na política.

Se nós somos 52% da população, o justo, o correto, seria que fôssemos também, muito próximo disso, representantes nos poderes constitucionais e parlamentares.
A coordenadora do Nepem/UFMG, Marlise Matos
A coordenadora do Nepem/UFMG, Marlise Matos Alessandra Ribeiro / Rádio UFMG Educativa

Violência
O primeiro bloco do programa aborda situações que especialistas têm chamado de "violência política", dificuldades formais e informais enfrentadas pelas mulheres para exercerem seu trabalho no âmbito da política. Exemplos disso são as dificuldades na obtenção de recursos para as campanhas femininas, dentro e fora dos partidos, e o crescimento das candidaturas laranjas.

Para a professora Daniela Rezende, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa, o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, em março de 2018, "é um recado muito brutal para as mulheres que se arriscam a entrar na política institucional e a fazer política, defender determinados grupos sociais".

Além dela, foram ouvidas a professoras Hildete Pereira de Melo, da Universidade Federal Fluminense, e Michelle Ferreti, uma das fundadoras e codiretoras do Instituto Alziras, responsável pela pesquisa Perfil das Prefeitas no Brasil .

Incentivo
No segundo bloco (aos 15 minutos), o Outra estação também ouviu mulheres atuantes na política, como a deputada Andréia de Jesus, do Psol, uma das primeiras deputadas negras eleitas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e a prefeita Benice Maia, de Itapagipe, no Triângulo Mineiro, representante do Movimento das Mulheres Municipalistas, vinculado à Confederação Nacional de Municípios, em Minas Gerais. Ambas falam sobre experiências coletivas que contribuem para fortalecer os mandatos de mulheres nos poderes Legislativo e Executivo.

Para discorrer sobre as principais pautas que mobilizam as mulheres parlamentares, foram entrevistadas a professora Carolina Stuchi, da Universidade Federal do ABC e coordenadora do Grupo de Estudos sobre Política e Gênero e do blog Legislativas, que acompanha as leis aprovadas por vereadoras na região do ABC Paulista, e a pesquisadora Beatriz Rodrigues Sanchez, do grupo de estudos Gênero e Política, Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo, que analisou a atuação da bancada feminina na Câmara dos Deputados.

Para saber mais

Marco normativo para consolidar a democracia paritária - ONU Mulheres
Ultraje do rosto: embates discursivos e reconhecimento da liderança feminina na Petrobrasartigo assinado por Ângela Cristina Salgueiro Marques e Frederico da Cruz Vieira de Souza, da UFMG
Desafios à representação política de mulheres na Câmara dos Deputados - artigo assinado por Daniela Rezende, da UFV
90 anos de mulheres na liderança municipal - publicação do Movimento Mulheres Municipalistas
Mais mulheres na política - jingle  composto por Paulo Marinho e interpretado por Márcia Siqueira

Jingle 'Mais mulheres na política' - campanha do Senado Federal

Produção
O episódio 31 do programa Outra estação é apresentado por Alessandra Ribeiro, com produção de Alessandra Ribeiro, Alicianne Gonçalves, Beatriz Kalil, Breno Benevides e Camila Meira. Os trabalhos técnicos são de Breno Rodrigues e a coordenação de jornalismo, de Paula Alkmim. O programa aborda, semanalmente, um tema de interesse social. Na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM), vai ao ar às quintas-feiras, às 18h, com reprise às sextas, às 7h30. O conteúdo também está disponível nos aplicativos de podcast