Institucional

Participação cidadã é destaque em debate sobre comunicação pública

Mesa-redonda abriu os trabalhos da primeira edição do Colóquio 'Universidade e comunicação pública: mídias sonoras'

Heloiza Matos, Maria Céres Pimenta, Soraya Fideles e Ângela Marques na abertura dos trabalhos do colóquio
Heloiza Matos, Maria Céres Pimenta, Soraya Fideles e Ângela Marques na abertura dos trabalhos do colóquio Foca Lisboa / UFMG

Os desafios impostos pelas novas tecnologias de comunicação e a diversidade do conceito de comunicação pública foram abordados na mesa-redonda Comunicação pública e emissoras públicas de rádio, que deu início, na tarde desta segunda-feira, 4, ao 1º Colóquio Universidade e comunicação pública: mídias sonoras, promovido pelo Centro de Comunicação (Cedecom) da UFMG.

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Heloiza Matos: transformação pelas tecnologias digitais
Foca Lisboa / UFMG

As integrantes da mesa destacaram a importância da presença da sociedade no processo de construção da comunicação pública. Para Heloiza Matos e Nobre, professora de Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), a sociedade está cada vez mais participativa e passou a exigir possibilidades concretas de envolvimento na comunicação. E as novas tecnologias digitais, segundo ela, abrem caminhos para os cidadãos atuarem na comunicação pública.

“Além de permitirem que a sociedade interfira na comunicação pública, as novas tecnologias aumentaram esse interesse em participar. No atual cenário de crise de representação das camadas mais vulneráveis da sociedade, as pessoas sentem a necessidade de atuarem nos espaços públicos”, disse.

Segundo o jornalista Marcílio Lana, diretor do Cedecom, as novas tecnologias e a nova realidade da comunicação impõem desafios a quem trabalha na área pública. “Precisamos entender quais são os papéis da comunicação e de uma rádio pública em uma universidade também pública. No caso da Rádio UFMG Educativa, sabemos que se trata de uma emissora que também possui um papel institucional. É importante termos consciência de que a comunicação pública que fazemos deve ser algo coletivo”, disse.

A ideia foi corroborada pela vice-reitora, Sandra Goulart Almeida, para quem a comunicação pública deve ir além da simples produção de conteúdo jornalístico. “Essa comunicação precisa estar em constante diálogo com a sociedade, visto que o ato de fazer comunicação coletiva e democrática deve considerar todos os setores sociais", disse.

Raíssa César / UFMG
Maria Céres: comunicação para todos
Raíssa César / UFMG

A professora aposentada Maria Céres Pimenta Spínola Castro, do Departamento de Comunicação Social da UFMG, destacou que a comunicação pública deve ser feita para todos. E exemplificou com uma conversa que teve ao telefone quando ainda era diretora do Cedecom. Naquele dia, um ouvinte procurou a Rádio UFMG Educativa para dizer como os programas da emissora eram educativos e lhe proporcionavam novos aprendizados.

“Esse ouvinte me contou que era mecânico e que sempre teve o sonho de aprender filosofia, o que estava sendo possível por meio de um programa da Rádio UFMG Educativa. Isso mostra que a comunicação pública representa algo para muitas pessoas.”

Múltiplas definições
A professora Ângela Cristina Salgueiro Marques, também do Departamento de Comunicação Social da UFMG, abordou a diversidade do conceito de comunicação pública. Citando o pesquisador Jorge Duarte, afirmou que as tensões que perpassam a área estão relacionadas a essa pluralidade de conceitos.

“Jorge Duarte afirmava que a comunicação pública tinha o compromisso de privilegiar o interesse público em detrimento do interesse individual, focando em temas de interesse coletivo. Hoje, esse conceito foi ampliado porque agora ele deve levar em conta o processo de escuta. Se a comunicação pública deve ser pensada como algo inclusivo, é necessário que o cidadão fale e seja ouvido. O cidadão só se configura como ator participativo no processo de comunicação quando sua voz é escutada.”

Ângela Marques: inclusão na comunicação pública ainda é um desafio.
Ângela Marques: pluralidade conceitualFoca Lisboa / UFMG

A pesquisadora acrescentou que, apesar de haver várias definições para a comunicação pública, os conceitos de cidadania, prestação de contas e reciprocidade aparecem em todas elas. “A comunicação pública deve ser capaz de fazer com que grupos diferentes se engajem em debates para resolver problemas coletivos. Apesar de existir uma diversidade de conceitos que explicam a comunicação pública, todos eles convergem para que a área seja pensada como um processo inclusivo”, ponderou.

Também na tarde de hoje, foi realizada a mesa-redonda Particularidades e desafios de uma emissora pública educativa. Mediada pela professora Regiane Lucas Garcêz, do mesmo Departamento, a mesa contou com a participação de Tacyana Arce, diretora-adjunta do Cedecom, Elias Santos, diretor de programação da Rádio Inconfidência e ex-coordenador geral da Rádio UFMG Educativa, e Ricardo Zimmermann Fiegenbaum, professor de jornalismo da Universidade Federal de Pelotas e coordenador de Comunicação Social da Universidade, responsável pela gestão da Rádio Federal FM.

O 1º Colóquio Universidade e comunicação pública: mídias sonoras é gratuito e tem transmissão ao vivo pelo Facebook da Rádio UFMG Educativa. Interessados ainda podem participar como ouvintes. Confira a programação desta terça-feira, dia 5.

9h30 às 11h - Mesa 3Rádio em vanguarda: novas configurações, linguagens e plataformas
• Mozahir Salomão Bruck, professor de Jornalismo e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC Minas
• Marcelo Kischinhevsky, professor de Jornalismo da Uerj
• Sônia Caldas Pessoa, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG 

Mediação: Alicianne Gonçalves, jornalista da Rádio UFMG Educativa

11h10 às 12h40 - Mesa 4Programação de emissoras públicas: construção coletiva e participação cidadã 

• Eduardo Sotto Mayor, jornalista da Rádio Ufscar
• Rita Freire, jornalista e ex-presidenta do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) 

• Florence Poznanski, secretária-geral do Comitê Mineiro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) 

Mediação: Marcílio Lana, diretor do Centro de Comunicação da UFMG

14h às 17h - Grupos de Trabalho
GT 1 - Critérios de ocupação do espaço sonoro
GT 2 - Qualidade técnica na produção
GT 3 - Jornalismo e produção de conteúdo
GT 4 - Publicidade educativa
GT 5 - Programação musical

Programação do Colóquio vai até amanhã, terça-feira.
Participantes do evento, que prossegue nesta terça com discussões sobre plataformas e programaçãoFoca Lisboa / UFMG