Pesquisa e Inovação

Série da Rádio UFMG Educativa aborda origem dos negros brasileiros

Primeira reportagem focaliza o processo de apagamento dos nomes e sobrenomes africanos

Obra
Obra 'Jovens negras indo à igreja para serem batizadas', de Jean Baptiste-Debret (1821) Jean Baptiste-Debret | Enciclopedia Itau Cultural | Reprodução

Oliveira, Matarazzo, Santos, Monteiro, Alckmin, Cardoso, Vargas, Souza, Borges, Pereira, Almeida, Rezende, Lorenzoni, Maluf, Rossi. Os sobrenomes mais comuns no Brasil têm origens diversas – da Itália à Síria, passando por Portugal, Espanha e Alemanha. Muitas famílias sabem até de que regiões desses países vieram seus antepassados. Mas em um país com 54% da população de ascendência africana não se ouve nenhum sobrenome angolano, moçambicano, congolês ou nigeriano.

O que teria acontecido para que os mais de cinco milhões de nomes e sobrenomes dos escravizados trazidos ao Brasil tenham se perdido na História? A resposta está no próprio processo de escravização. Em entrevista à Rádio UFMG Educativa, a professora do Departamento de História da Fafich e diretora do Centro de Estudos Africanos da UFMG, Vanicleia Silva Santos, explica que os negros eram capturados no interior da África e recebiam nomes cristãos, como Maria e José.

O sobrenome era dado pelo local de embarque. Por isso, era comum encontrar Maria Benguela, embarcada no porto em Angola, ou José da Costa, vindo da Costa do Ouro. Após a abolição, esses nomes foram substituídos pelo sobrenome dos proprietários, mas nem sempre eram utilizados no cotidiano.  "Eu trabalhei com o processo de um homem chamado de João Congo, que no livro de batismo era registrado como João da Silva. No processo dizia, João da Silva, de alcunha João Congo", relata Vanicleia. 

A reportagem também ouviu o historiador, acadêmico da Academia Brasileira de Letras, Alberto da Costa e Silva, e o também historiador da Universidade Federal da Bahia João José Reis.

Ouça reportagem de Vinicius Luiz

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