Notícias Externas

UFMG Educativa veicula série sobre gênero na escola

Primeira reportagem discute se existe ou não uma ideologia de gênero e busca as origens dessa discussão

Estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, fazem protesto contra consevadorismo na escola
Estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, fazem protesto contra consevadorismo na escola Isabela Vieira I Agência Brasil

“Não à ideologia de gênero”. “Homem é homem, mulher é mulher”. “Com a ideologia de gênero, a escola agora não vai mais poder dizer que menino é menino e menina é menina”. Frases como essas amplamente compartilhadas nas redes sociais ganharam destaque no Brasil nos últimos anos principalmente na voz de lideranças religiosas, como bispos e pastores, e de políticos como o presidente Jair Bolsonaro e seus correligionários. Um discurso que ganhou tanta força que vem influenciando os rumos da política educacional no país. Mas, afinal, o que significa “ideologia de gênero”? Quais são as origens dessa expressão? E, existe ou não uma ideologia de gênero?

Para responder a essas e outras questões, o Jornal UFMG veicula, a partir de hoje, a série de reportagens Gênero: o que é da conta da escola? que analisa quais são os interesses por trás desse debate, como ele influencia nas estatísticas de violência contra mulheres e população e LGBT e qual é o papel das instituições de ensino e da família. A  primeira reportagem da série veiculada nesta segunda-feira busca as origens e as controvérsias em torno dessa discussão. 

As primeiras menções ao termo ideologia de gênero ocorreram no final da década de 1990, quando a Igreja Católica lança mão de um discurso que visa combater as teorias de gênero e o feminismo. O primeiro documento oficial em que esse termo é citado, segundo pesquisas, é uma nota da Conferência Episcopal do Peru, de 1998, que teve como tema “A ideologia de gênero – seus perigos e alcances”.

Essa reação da Igreja de ataque aos estudos de gênero ocorreu após a realização de uma Conferência da Organização das Nações Unidas, em 1995, que, ao discutir direitos humanos, trouxe a distinção entre a categoria sexo – estritamente vinculada à biologia humana - e a categoria gênero – uma questão cultural, influenciada por diversos fatores. Nessa época, pautas feministas como o direito reprodutivo e aborto ganharam projeção. 

Logo, o discurso contra ideologia de gênero passou a ser defendido também por evangélicos e grupos laicos conservadores. Mas afinal, existe ou não uma ideologia de gênero? A reportagem ouviu especialistas ligados aos movimentos conservadores e também estudiosos de gênero para responder a essa questão.

Ouça a reportagem de Samuel Sousa

(*Com produção de Paula Alkmim)

Reconheceu as vozes que abrem essa reportagem? Elas são do presidente Jair Bolsonaro, do pastor Silas Malafaia, do deputado federal por São Paulo e membro do Movimento Brasil Livre Kim Kataguiri e da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves. Mas por que o discurso contra a ideologia de gênero ganhou tanta força no Brasil nos últimos anos e como têm influenciado as políticas educacionais no país? Esse é o tema da reportagem de amanhã que será veiculada no Jornal UFMG, a partir de 12h30.

Para além das fontes citadas nessa reportagem, a UFMG Educativa também fez a pergunta “O que é ideologia de gênero? Existe ou não uma ideologia de gênero?” a outros especialistas. Ouça mais respostas:

- Professora da Faculdade de Educação da UFMG Adla Betsaida, doutora em educação: “Estudos de gênero seria o mais correto. A expressão ideologia de gênero é uma aberração.”

Ouça a professora Adla Betsaida

- Professor emérito da PUC de Goiás Jean-Marie Lambert, doutor em relações internacionais: “Ideologia é uma ideia que induz a certos comportamentos políticos. É óbvio que existe. O centro irradiador dessa ideologia é a ONU.”

Ouça o professor Jean-Marie Lambert

- Psicanalista Letícia Lanz, transexual: “Terminologia ‘ideologia de gênero’ é totalmente inapropriada. Gênero é um fato, não uma ideia”

Ouça a psicanalista Letícia Lanz

- Coordenador da ONG Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor) organização dedicada a defesa dos direitos LGBT, Lua Ramires: “O termo ideologia é usado para mascarar uma tentativa conservadora de barrar a igualdade de gênero.”

Ouça o coordenador da ONG Corsa Lula Ramires

- Professora sênior da Universidade Estadual de Londrina, Mary Neide: “É um conceito que não existe na ciência. Foi inventado por pessoas com pensamento conservador”

Ouça a professora Mary Neide