Institucional

Universidades estão fortes e vão se rebelar contra qualquer desmando, diz Sandra Goulart

Reitora destacou histórico da UFMG em defesa da democracia durante colóquio sobre comunicação pública

Da esquerda para a direita, Fábia Lima, Sandra Goulart e Acácio Jacinto
Fábia Lima (à esquerda), Sandra Goulart e Acácio Jacinto Foto: Raphaella Dias | UFMG

A série de intervenções antidemocráticas em universidades federais ocorridas no Brasil nos últimos anos foi relembrada pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida, na abertura da mesa Educação, comunicação e defesa da democracia, ocorrida na manhã desta terça-feira, 5 de setembro, no Auditório 106 do Centro de Atividades Didáticas 3 (CAD3), no campus Pampulha. A atividade compõe a programação do 5º Colóquio Universidade e comunicação pública: inteligência artificial e os desafios para a democracia, realizado desde ontem pelo Centro de Comunicação (Cedecom) da UFMG.

Ao defender o papel das universidades e da comunicação pública na consolidação da democracia, Sandra Goulart rememorou a série de intervenções iniciadas em 2017, em universidades como a Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Federal do Paraná (UFPR) e a Federal de Santa Catarina (UFSC), onde as ações arbitrárias culminaram na morte do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que se suicidou após condução coercitiva, prisão e afastamento da Universidade, durante investigação encerrada pela Polícia Federal em 2018 por falta de provas.

“Logo depois, houve uma ação aqui nesta universidade, que envolveu representantes de quatro gestões da UFMG. Gestores da universidade foram conduzidos coercitivamente. Inclusive eu fui conduzida, e, no ano passado, todos os processos, civis, penais e administrativos, foram arquivados por falta de base, prova ou qualquer instrumento que justificasse a condução que nós sofremos. Temos que lembrar esse momento de excepcionalidade, que só pode ser comparado aos vividos na ditadura, um dos mais difíceis da história das universidades públicas. Temos que lembrar desse papel democrático, dessa resistência que todos nós temos que fazer em momentos de excepcionalidade. Vivemos hoje um momento diferente, mas não podemos esquecer do que vivemos e devemos trabalhar para não permitir que isso aconteça novamente”, defendeu a reitora.

Universidade e democracia
Na próxima quinta-feira, 7 de setembro, dia em que se celebra a Independência do Brasil, a UFMG comemora 96 anos de fundação. Em sua fala, Sandra Goulart destacou a importância de o colóquio ocorrer neste “momento muito especial”. Ela tratou, entre outros temas, da defesa da democracia, em consonância com o lema escolhido para as celebrações do aniversário de 96 anos da UFMG: Universidade e democracia

"A nossa universidade agora está se movimentando rumo aos 100 anos, e esse é um momento para pensar o nosso futuro, pensar a Universidade nesse contexto que vivemos nos últimos anos. Temos que fazer a reflexão sobre o papel das nossas universidades públicas na preservação, na defesa e na consolidação de um espaço democrático. A nossa universidade nunca se furtou de defender a democracia, e eu acho que tivemos um papel muito importante nesses últimos anos, em que fomos muito atacados. Nossas instituições estão fortes e vão se rebelar contra qualquer desmando, autoritarismo e arbítrio que possa nos afetar e a nossa sociedade", disse.

Acordo UFMG e Canal Futura

Termo estabelece cooperação com Canal Futura
Termo assinado pela reitora Sandra Goulart estabelece cooperação com o Canal Futura Foto: Raphaella Dias | UFMG

Durante a mesa, foi oficializado acordo de cooperação, para o intercâmbio de conteúdo, metodologias e iniciativas de natureza educativa e cultural, entre a UFMG e a Fundação Roberto Marinho. O documento foi assinado pela reitora Sandra Goulart, pela diretora do Cedecom, Fábia Lima, e pelo gerente-adjunto do Canal Futura, Acácio Jacinto. 

A parceria prevê o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho destinada a projetos educacionais, ao intercâmbio, à coprodução e à difusão de conteúdos audiovisuais no Canal Futura (emissora do Grupo Globo focada em produções educativas) e ao compartilhamento de conhecimentos sobre tecnologias e metodologias no âmbito da comunicação, da mídia e de seus processos. 

Fábia Lima afirmou que a parceria oficializada com o Canal Futura abre "uma nova frente de exibição para dar mais visibilidade à produção feita na Universidade". "Esperamos fortalecer esse espaço de difusão para as nossas universidades, trabalhando essa produção em rede, por meio do Cogecom (Colégio de Gestores de Comunicação das Universidades Federais).”

"Há tempos é nosso desejo estabelecer esta parceria, porque nossas instituições têm muito em comum e, por isso, vislumbramos a possibilidade de realizar belos projetos. Estamos muito felizes e vamos juntos, buscando despertar futuros e saberes para um novo mundo, neste país totalmente polarizado no qual a comunicação terá efetivamente um papel fundamental”, afirmou Acácio Jacinto.

Inteligência artificial e democracia
Realizado desde 2017 pelo Cedecom, o Colóquio Universidade e comunicação pública chega, neste ano, à quinta edição. Com o tema Inteligência artificial e os desafios para a democracia, a programação teve início nesta segunda-feira, 4, e segue até esta quarta, 6. 

No primeiro dia, foram realizadas duas mesas: Universidades, comunicação pública e o combate à desinformação e A Rede Ifes de comunicação pública – Cogecom. Durante a tarde, ocorreu a Jornada Rede Hologramas, um encontro aberto de grupos de pesquisa em comunicação da PUC Minas e das federais de Minas Gerais (UFMG), de Viçosa (UFV) e do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A programação desta quarta, último dia do evento, prevê duas oficinas: Design thinking para desenvolvimento de plataforma descentralizada e colaborativa de produção, validação, publicação e circulação de conteúdos para comunicação pública da ciência Comunica Ciência e parcerias para produção textual, gráfica, radiofônica e audiovisual em rede.

5º Colóquio Universidade e Comunicação Pública

Hugo Rafael