Diversidade da população pode revelar variantes do DNA associadas ao risco de doenças, mostra pesquisa da UFMG

Tese defendida na UFMG analisou informações genéticas de 6,4 mil brasileiros

Durante quatro anos, a bióloga Hanaisa Sant'Anna estudou a saúde e a miscigenação da população brasileira por meio da análise do DNA de 6.487 pessoas. Ela recorreu a dados do Projeto Epigen-Brasil, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz, UFMG e universidades de São Paulo e federais da Bahia e de Pelotas, com financiamento do Ministério da Saúde.  

Em sua pesquisa, ela observou que a diversidade genética da população brasileira tem enorme potencial para revelar novas variantes no DNA associadas ao risco de doenças. O estudo identificou, por exemplo, variante genética responsável por um dos maiores efeitos já relatados no Índice de Massa Corpórea (IMC), usado para calcular os níveis de obesidade. 

"Os fatos de os europeus, que são as populações mais estudadas geneticamente, não terem essa variante e de o genoma dos africanos ser pouco estudado podem nos ajudar a explicar a razão de uma variante com impacto tão alto nunca ter sido reportada em nenhuma outra população. Os brasileiros reúnem contribuições dessas diferentes populações, e isso nos possibilitará superar os achados dos estudos tradicionais da genética", prevê Hanaisa Sant'Anna.  

A tese de doutorado foi desenvolvida no Programa Interunidades de Pós-graduação em Bioinformática. Essa área, na qual a UFMG é considerada referência internacional, é estratégica no desenvolvimento de pesquisas multidisciplinares. O trabalho foi orientado pelo professor Eduardo Tarazona-Santos, especialista na área de genética de população na América Latina. 

A tese também investigou a história da miscigenação brasileira, e os resultados demonstraram que os brasileiros ainda guardam evidências no DNA de uma trajetória marcada pela desigualdade racial e pela violência contra a mulher. 

Saiba mais sobre a pesquisa no novo episódio do programa Aqui tem ciência, da Rádio UFMG Educativa. 

Raio-x da pesquisa

Tese: Ancestralidade, Mapeamento de Doenças Complexas e Dinâmica da Miscigenação na População Brasileira

O que é: estudo da saúde e da história da população brasileira por meio de análises do DNA dos brasileiros. Resultados revelam que a grande diversidade genética brasileira tem enorme potencial para identificação de variantes no DNA associadas ao risco de contrair doenças e demonstram que os brasileiros ainda guardam evidências no DNA de uma história de miscigenação marcada pela desigualdade racial e violência contra a mulher.

Pesquisadora: Hanaisa de Plá e Sant’Anna

Programa: Interunidades de Pós-graduação em Bioinformática

Orientador: Eduardo Tarazona-Santos

Ano da defesa: 2020

Financiamento: Ministério da Saúde (Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Estudos Estratégicos), Capes, CNPq e Fapemig 

O episódio 65 do programa Aqui tem ciência tem apresentação e produção de Alicianne Gonçalves. Os trabalhos técnicos são de Breno Rodrigues. O programa é uma pílula radiofônica sobre estudos da UFMG e abrange todas as áreas do conhecimento. A cada semana, a equipe da emissora apresenta os resultados de um trabalho de pesquisa da Universidade.

Aqui tem ciência fica disponível em aplicativos de podcast como o Spotify e vai ao ar na frequência 104,5 FM, às segundas-feiras, às 11h, com reprises às quartas-feiras, às 14h30, e às sextas-feiras, às 20h.

Assessoria de Imprensa UFMG

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