Estudantes de Design de Moda da UFMG participam de programa internacional de mentoria

Iniciativa da Dior, gigante francesa do vestuário, é focada na formação de lideranças femininas

O curso de Design de Moda da Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG firmou, no início deste ano, parceria com o Women @ Diorprograma internacional de mentoria de mulheres da empresa francesa de vestuário Christian Dior, uma das mais famosas da moda mundial, com foco na formação de “liderança feminina para um futuro sustentável”, como informa o site da iniciativa. 

Com a parceria, 18 alunas do curso foram selecionadas para a edição deste ano do programa. Durante um ano, elas receberão mentoria para o desenvolvimento da carreira e terão aulas com professores de várias universidades do mundo. 

A comissão responsável pela seleção das alunas da UFMG foi composta pela professora Angélica Adverse e pelo professor Tarcísio de Almeida, da Escola de Belas Artes (EBA), e pelas profissionais Juliana Wink e Rachel Sherrer. Depois da banca doméstica, as candidatas passaram por uma seleção conduzida pela Dior e pela Unesco, para enfim integrarem o programa, do qual participam desde o início de abril, por meio de atividades junto às suas mentoras. 

A formação terá a duração de um ano, com foco na “formação de liderança feminina em inovação social”, como explica Angélica Adverse. Ao fim do processo, caso a pandemia esteja controlada, as estudantes deverão participar de um encontro presencial em Paris, na sede da Dior. 

“O processo de mentoria iniciou-se com a participação das estudantes em uma conferência internacional, em que puderam ter como interlocutoras nomes como Audrey Azoulay, diretora da Unesco, Chantal Gaemperle, CEO da LVMH [holding francesa especializada em artigos de luxo], Emmanuelle Favre, CEO da Dior, e a escritora e jornalista franco-marroquina Leïla Slimani”, detalha Angélica. 

“O projeto Women @ Dior é uma iniciativa para a formação de liderança feminina, destinada, naturalmente, a estudantes com desempenho acadêmico de excelência. Criado por Emmanuelle Favre, CEO da Dior, o programa visava, inicialmente, à formação exclusiva de jovens francesas, mas depois foi ampliado. O propósito é dar-lhes suporte para pensar a carreira profissional e a atuação social com foco em três aspectos: ambição, sororidade e generosidade”, explica a professora.

Desde a sua criação, em 2017, o programa já formou mais de 1,5 mil mulheres de mais de 20 países, sempre com foco na emancipação feminina. Em 2018, passou a integrar a Coalizão Global de Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que, desde 2020, tem voltado suas atenções para a proteção e o fomento do direito à educação em face das dificuldades impostas pela atual pandemia. 

“Acredito muito na potência desse projeto. Sua força, ao meu ver, está na partilha de referências e na instância relacional propiciada pelo seu cosmopolitismo. Com a participação no programa, nossas alunas estão integradas em uma rede internacional, mantendo contato com professores de diversas instituições e com profissionais de diversos campos, da gestão à literatura. O programa ganha ainda mais relevância se considerarmos que ele atua em países onde a condição da mulher é mais vulnerável e tem foco na ideia da autonomização das mulheres e de sua inserção efetiva em espaços de liderança”, contextualiza a professora da EBA. 

Ana Paola Reis, coordenadora do curso de Design de Moda da Escola de Belas Artes, também destaca o valor dessa oportunidade de as alunas da UFMG estabelecerem contato com estudantes e professores de instituições de diferentes partes do mundo com tradição no ensino de moda. “Esse contato possibilita a formação de parcerias e o intercâmbio de experiências socioculturais. A experiência no programa pode alargar as fronteiras e ampliar as perspectivas de atuação local das futuras profissionais, ampliando as suas capacidades de transformar as realidades onde estão inseridas de forma colaborativa e sustentável”, afirma. 

“Realização de um sonho”

Gabriela dos Santos Souza, de 22 anos, aluna do 9º período do curso de Design de Moda da Escola de Belas Artes da UFMG, é uma das participantes do programa Women @ Dior. Abaixo, ela faz um relato dessas primeiras semanas de participação no programa. 

O curso começou há cerca de um mês e tem um programa que envolve os cinco pilares da marca: autonomia, autocuidado e consciência, inclusão, criatividade e sustentabilidade. No início do curso, participamos da conferência global [confira vídeo com trecho]. Nesse mesmo dia, tivemos um workshop com a Diana Dolph [diretora de desenvolvimento de talentos da Dior] sobre como desenvolver nossos talentos pessoais em forças. 

Em abril, passamos a ter acesso aos conteúdos da plataforma, com aulas liberadas todo mês, e, a partir de junho, teremos conferências com professores e personalidades convidadas. A primeira será com a jornalista Paris Lees. Ao fim dessas aulas e conferências, seremos encaminhadas para mentores, que vão nos auxiliar a desenvolver um projeto final que envolva o que aprendemos no decorrer do curso. 

Pelo que pude perceber até o momento, o intuito deles é promover nosso desenvolvimento como profissionais que conheçam primeiramente a si mesmos, para depois entendermos como podemos ser fundamentais em mudanças no ciclo e no papel da moda mundial. É uma responsabilidade muito grande, mas estamos nos dedicando bastante para cumprir as expectativas, de forma que futuramente haja mais vagas para brasileiras em cursos como esse. 

Quando comento com as pessoas que estou fazendo um curso da Dior, a primeira coisa que me falam é sobre o quão bom isso será para o meu currículo. Mas elas não têm ideia de como o programa também está contribuindo para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Estamos vivendo uma experiência incrível. 

Participar do programa é a realização de um sonho. Eu estudo moda desde 2014, quando iniciei um curso técnico no Cefet-MG. Desde então, eu brincava com amigos que um dia eu iria trabalhar e/ou estudar numa casa de alta costura. Então a ficha vai caindo aos poucos.

Texto de Ewerton Martins Ribeiro para o Portal UFMG

Fonte

Assessoria de Imprensa UFMG

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