Estudo da UFMG revela aumento na incidência de sífilis em gestantes e alerta para subnotificação de casos

Pesquisa adverte sobre risco do aumento de casos da sífilis congênita, que pode causar malformação, prematuridade e mortalidade de bebês

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da UFMG identificou um aumento progressivo das taxas de detecção da sífilis em gestantes e a incidência em crianças, com base em dados sobre Betim (MG), município de referência no tratamento da doença. Ao mesmo tempo, o estudo apontou falta de notificação em 40,9% dos quadros de sífilis congênita.

A pesquisadora responsável, Cristiane Campos Monteiro, que desenvolveu o estudo durante seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Infectologia e Medicina Tropical da Faculdade, baseou-se em informações de três sistemas de vigilância epidemiológica. Apesar dos dados serem específicos de Betim, ela destaca que a subnotificação é um problema que se expande a todo o Brasil e que os resultados da pesquisa só reforçam a importância de uma assistência à saúde de qualidade à gestante, ao parceiro e à criança.

Cristiane identificou que, entre 2010 e 2018, a taxa de gestantes infectadas com sífilis passou de 1,8 para 19,7 a cada mil bebês nascidos vivos. E aumentou de 1,7 para 10,5 infectados com sífilis congênita a cada mil nascidos vivos. Esses dados foram encontrados na análise realizada com 411 gestantes e 289 crianças. E além da subnotificação de 40,9% dos quadros de sífilis congênita, não foram notificados 33,3% dos óbitos infantis pela doença, bem como 17,2% nos casos da sífilis em gestantes.

De acordo com Cristiane Monteiro, esse é um dado preocupante, já que a identificação precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e redução das diversas consequências que a sífilis pode causar à saúde da mãe e do bebê. Ela comenta que a mortalidade do feto, durante a gestação, pode afetar 40% nos primeiros meses de vida, por exemplo.

A epidemiologista explica que o diagnóstico da sífilis em gestantes deve ser realizado durante o pré-natal e o tratamento está disponível nas Unidades Básicas de Saúde. No entanto, a pesquisa revelou que 97,9% das gestantes diagnosticadas nas consultas de pré-natal não completaram o tratamento, o que é fundamental para a cura da doença e interrupção do ciclo de transmissão, ou não foram incluídas nas notificações.

Por esse motivo, ela chama atenção para a necessidade do aumento na qualidade da assistência médica e preenchimento adequado da notificação. “Também é importante haver mais qualidade de assistência no pré-natal, desde o preenchimento de dados no cartão da gestante, na notificação até a abordagem do parceiro”, afirma.

Outro alerta da pesquisadora é que os parceiros sexuais também devem fazer o tratamento para não reinfectar a gestante. Mas, seu estudo apontou que 88,2% deles não se trataram. “É preciso conhecer a real situação da doença, o número de casos e óbitos, para assim estabelecer estratégias precisas e eficientes em busca da prevenção de casos de sífilis, mortes neonatais e fetais. É necessário colocar a sífilis como prioridade na gestão em saúde”, defende.

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Assessoria de Imprensa UFMG

Fonte

Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG