Estudo UFMG demonstra que bebida alcoólica pode diminuir defesas do corpo contra microrganismos invasores

O consumo crônico de álcool já é associado ao aumento de mortes por várias doenças, como as do fígado e diferentes tipos de câncer, e também a acidentes, especialmente os de trânsito. Mas um estudo, em modelo animal, liderado por cientistas do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, chama a atenção para um outro risco que o consumo exagerado de uma cervejinha e demais bebidas alcoólicas pode representar: uma maior predisposição a infecções.

Publicado na revista eLife, no estudo os cientistas demonstraram que o sistema de defesa do organismo de camundongos que consumiram álcool é prejudicado e não consegue combater de forma eficiente infecções pulmonares, como pneumonias causadas por fungos.

A resposta imunológica efetiva contra qualquer patógeno, organismos que podem causar doenças, é realizada principalmente pelos neutrófilos, células de defesa que compõem os glóbulos brancos. No caso das infecções pulmonares, para realizar sua função essas células precisam sair da corrente sanguínea e chegar até os pulmões, onde são os principais responsáveis por capturar e matar invasores.

No estudo, os cientistas observaram que os neutrófilos dos camundongos que consumiram álcool por muito tempo tiveram mais dificuldade para chegar aos pulmões e combater os patógenos. E os poucos que chegaram ao pulmão falharam em capturar e matar o fungo. Os pesquisadores concluíram que o consumo de álcool gera uma resposta inflamatória depois da infecção muito mais intensa. Há liberação de um composto no sangue que atrapalha que os neutrófilos atuem da forma adequada na defesa do organismo.

Em conjunto, os resultados mostraram que o etanol afeta todas as funções desempenhadas pelos neutrófilos no combate à infecção, como ativação, recrutamento, e funções de combate aos patógenos, causando suscetibilidade à infecção pulmonar.

“O fungo consegue se multiplicar e crescer no pulmão dos camundongos que consomem álcool, além disso, esses camundongos também apresentam um maior dano nos pulmões e uma maior mortalidade após a infecção”, afirma o orientador da pesquisa Frederico Marianetti Soriani, professor do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução do ICB UFMG. Esses resultados estabelecem um novo paradigma na resposta imune inata em consumidores crônicos de etanol, que pode atrapalhar seu sistema imune no combate a infecções, conclui o pesquisador.

Artigo: Chronic ethanol consumption compromises neutrophil function in acute pulmonary Aspergillus fumigatus infection

Publicação: Revista eLife 2020;9:e58855

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