Produções da Rádio UFMG Educativa e TV UFMG destacam legado de Paulo Freire

Se estivesse vivo, Paulo Freire, um dos mais importantes pensadores brasileiros, teria completado 100 anos no último domingo, 19 de setembro. Natural do Recife, em Pernambuco, faleceu em 1997. Pedagogia do Oprimido, de 1968, sua obra mais célebre, foi a única brasileira a entrar para o ranking dos Cem títulos mais utilizados em universidades de língua inglesa, segundo o projeto Open Syllabus. Em homenagem ao educador, a Rádio UFMG Educativa e a TV UFMG fizeram produções especiais que destacam o seu legado.

A importância de Paulo Freire vem sendo questionada nos últimos anos por setores mais conservadores. Freire já recebeu críticas, inclusive, do presidente Jair Bolsonaro, e, logo em 2019, primeiro ano de mandato de Bolsonaro, três projetos de lei foram apresentados à Câmara dos Deputados com o objetivo de retirar do filósofo e educador o título de patrono da educação brasileira, concedido por lei em 2012.

Mas quem foi esse homem que marcou a educação nacional, influencia pesquisas e experiências mundo afora e acabou se tornando alvo de críticas de grupos conservadores? O episódio 75 do programa Outra estação, da Rádio UFMG Educativa, responde a essa pergunta. 

Para isso, foram entrevistados Francisca Maciel, professora da Faculdade de Educação da UFMG, Rodrigo Ratier, jornalista e professor da Faculdade Cásper Líbero, Sérgio Haddad, professor da Universidade de Caxias do Sul e autor da biografia O educador: um perfil de Paulo Freire, publicada em 2019 pela Editora Todavia, e Paulo Blikstein, professor da Universidade de Columbia, em Nova York. Também foram reproduzidos trechos de uma entrevista da viúva do educador, Nita Freire, concedida à Rádio UFMG Educativa em 2018. 

O porquê das críticas

Suas características progressistas, alinhadas com pensadores do campo educacional que propõem uma perspectiva diferente da lógica tradicional, e sua atuação política em movimentos de esquerda fizeram Paulo Freire ser perseguido por grupos mais conservadores. Para Sérgio Haddad, da Universidade de Caxias do Sul, um dos fatores que impulsionam as críticas a Paulo Freire é o desconhecimento.

Na avaliação de Rodrigo Ratier, jornalista e professor da Faculdade Cásper Líbero, a perseguição a Paulo Freire também pode ser entendida como um recurso discursivo dos movimentos de direita conservadores. Ele explica que uma das estratégias desses movimentos é escolher inimigos para combater; no caso da educação, Paulo Freire é o alvo preferencial. Ratier observa que os problemas da educação brasileira não se devem à pedagogia freireana e são mais antigos e extensos.

De quase cantor a patrono da educação

Nita Freire, viúva de Paulo Freire, contou para a Rádio UFMG Educativa que, em boa parte da sua juventude, o marido queria ser cantor de rádio, mas acabou enveredando mesmo pela Educação. Em 1963, teve a primeira e uma de suas mais relevantes experiências públicas. A pedido do governador do Rio Grande do Norte, Aluísio Alves, ele desenvolveu um programa de alfabetização para adultos na cidade de Angicos. O sucesso dessa experiência em solo potiguar foi tamanho que Paulo Freire foi chamado pelo então presidente João Goulart para desenvolver uma campanha nacional de alfabetização. 

A aplicação das propostas de Paulo Freire – de uma educação que busca dar autonomia aos alunos – renderam diversas experiências e inspiram tantas outras pelo Brasil. No segundo bloco do programa, o Outra estação traz uma entrevista com a professora Francisca Maciel, da Faculdade de Educação, que aborda projeto de alfabetização de adultos ministrado na Universidade, em que os princípios de Paulo Freire são aplicados durante todo o percurso pedagógico dos estudantes.

Para saber mais

Cordel conta história de lavrador que descobriu o mundo de Paulo Freire

Acervo do Instituto Paulo Freire

Edição especial da Revista Brasileira de Educação Básica sobre Paulo Freire

Produção

A produção do Outra estação sobre os 100 anos de Paulo Freire é de Vinícius Luiz, Luana Lima, Mateus Santos, Samuel Sousa e Igor Costa. Apresentação e edição de Alicianne Gonçalves. Os trabalhos técnicos são de Breno Rodrigues. A coordenação de jornalismo da Rádio UFMG Educativa é de Paula Alkmim.

Na segunda temporada, a atração vai ao ar às quintas, quinzenalmente, às 18h, com reprise às sextas, às 7h, pela frequência 104,5 FM. Em cada episódio, o programa aborda um tema de interesse social. Todos os episódios estão disponíveis nos aplicativos de podcast, como o Spotify.

Pensamento do educador continua vivo na UFMG

A direção da Faculdade de Educação (FaE) instituiu, neste ano, uma comissão, formada por professores, servidores técnico-administrativos e estudantes, para programar atividades comemorativas do centenário de Paulo Freire. Desde então, tem promovido círculos on-line de cultura com convidados, saraus, rodas de conversa e produzido pílulas e podcasts sobre o educador que construiu propostas pedagógicas inovadoras.

Em entrevista à TV UFMG, as professoras Lúcia Alvarez, integrante da Comissão Centenário Paulo Freire da FaE, Maria da Conceição Fonseca, da equipe do Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos (EJA-FaE), e a mestra em Psicologia Júlia Oliveira, participante do projeto de extensão Apoio matricial no SUS de Belo Horizonte, revelam como o pensamento do educador continua presente no ensino, na pesquisa e na extensão da Universidade. Confira:

Em junho, o educador foi homenageado durante a 20ª Jornada de Extensão, tema de edição especial do Boletim UFMG

Assessoria de Imprensa UFMG

Fonte

Assessoria de Imprensa UFMG

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