Professor do DCP UFMG é premiado com artigo sobre 'democraticidade’ de organismos internacionais

Trabalho foi reconhecido pela Associação Brasileira de Ciência Política

A aplicação de um conceito da ciência política a um fenômeno de relações internacionais é a base do trabalho de autoria do professor Dawisson Belém Lopes, da UFMG, que recebeu, no último dia 2 de agosto, o Prêmio Olavo Brasil de Lima Jr. 2018, da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).

No artigo Poliarquias, oligarquias competitivas ou hegemonias inclusivas? Uma comparação de 23 organizações intergovernamentais globais baseadas na teoria política de Robert Dahl, Dawisson Lopes classifica entidades internacionais com relação à democraticidade, isto é, a capacidade de gerar participação e permitir contestação, incluir atores e dar voz a minorias.

O autor observou que as entidades ligadas a temas como educação e saúde – respectivamente Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Organização Mundial de Saúde (OMS) – atendem a esses critérios, sendo, portanto, “mais poliárquicas, para usar o conceito do Robert Dahl”, comenta Lopes, que é professor do Departamento de Ciência Política da Fafich da UFMG.

No extremo oposto, isto é, como menos poliárquico, está o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, próximo a ele, o Banco Mundial, a Agência Internacional de Energia Atômica, sediada em Viena, e a Organização para Proibição de Armas Químicas, baseada em Haia.

Segundo o autor, temas como educação e saúde, que são prioritários para a política eleitoral, parecem não ser tão importantes para a política internacional. “É como se as grandes potências do mundo permitissem que houvesse mais democraticidade nesses sistemas, talvez por entenderem que não sejam tão prioritários no âmbito das relações internacionais”, pondera o professor.

O artigo, considerado pela ABCP como o segundo melhor do país na sua área de conhecimento no biênio 2016-2018, foi publicado na Cambridge Review of International Affairs (Volume 29, 2016 – Número 4).

O cientista político norte-americano Robert Dahl (1914-2015) é considerado um dos fundadores da teoria democrática contemporânea. “Entre os seus conceitos mais importantes está o de poliarquia, base do meu artigo”, explica o autor.

Dawisson Belém Lopes é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), atuou como pesquisador visitante, em 2013, no Instituto Alemão de Estudos Globais e de Área em Hamburgo (Alemanha) e, em 2016, na Universidade Católica de Louvain em Mons (Bélgica).

O prêmio

Instituído pela ABCP com o objetivo de divulgar a produção brasileira na Ciência Política, o prêmio Olavo Brasil de Lima Jr. destaca os melhores artigos da área publicados em periódicos Qualis/Capes. De acordo com o edital do prêmio, na avaliação dos trabalhos são observados critérios como rigor científico – precisão conceitual e metodológica, envolvendo elaboração teórica/analítica e solidez dos argumentos e resultados apresentados.

São também observados  pelos examinadores a clareza e a objetividade do conteúdo, indicando de que modo o estudo se situa no tema/debate proposto, a originalidade das estratégias adotadas para a pesquisa e dos resultados apresentados e o impacto para os estudos da área de Ciência Política no Brasil.

Olavo Brasil de Lima Jr. (1944-1999) foi membro fundador da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) em 1977, da qual foi também presidente. Na década de 1980, foi um dos responsáveis pela organização da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP). Uma das principais referências nos estudos sobre partidos e sistemas partidários no Brasil, foi professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e da UFMG.

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Assessoria de Imprensa da UFMG

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