Variante delta do Sars-CoV-2 deve se tornar predominante em MG, projeta grupo da UFMG

Previsão é do Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais, que produz comunicados semanais sobre a presença do coronavírus no estado

A evolução da variante delta (B.1.617), que tem o maior poder de propagação e a maior tendência a gerar casos graves da covid-19 em não vacinados, foi constatada pelo Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais (OViGen) e divulgada em boletim semanal pelo grupo na página do Programa de Pós-graduação em Genética do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG. Coordenado pelos professores Renato Santana de Aguiar e Renan Pedra de Souza, ambos do Laboratório de Biologia Integrativa do ICB, o informe atualizado é divulgado todas as quintas-feiras e tem o objetivo de mostrar a evolução e o deslocamento das variantes do Sars-CoV-2 no estado.

A ideia de criar boletins semanais sobre as variantes da covid-19 mais presentes em Minas surgiu em março deste ano, quando pesquisa coordenada pelos dois professores do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução analisou 1.198 restos de amostras coletadas para exames de PCR em 282 municípios mineiros. Naquela época, o estudo mostrou que a variante gama (anteriormente chamada de P.1 ou de variante de Manaus) era a predominante no estado.

Mudança de cenário

Santana afirma que o cenário mudou rapidamente e se tornou mais preocupante, visto que a variante delta, que é mais perigosa que a gama, está se tornando a prevalente em Minas Gerais. "Por isso, tivemos a ideia de realizar um monitoramento mais atualizado, que acompanhasse a evolução e o deslocamento da covid-19 pelo estado, e criamos o comunicado semanal em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, com a Prefeitura de Belo Horizonte e com a Fundação Ezequiel Dias (Funed)”, conta.

O professor explica que, toda semana, 200 amostras positivas para a covid-19, provenientes de 10 unidades regionais de saúde localizadas em regiões de Minas que fazem fronteira com outros estados, são enviadas para a Funed, que faz a primeira triagem do material. Essas amostram seguem para o Laboratório de Biologia Integrativa do ICB e para o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) da Faculdade de Medicina, onde são analisadas.

“Testamos as amostras por meio de uma metodologia de genotipagem que desenvolvemos aqui no ICB e que possibilita identificar as variantes em quatro horas. Quando aparecem novas variantes, fazemos o sequenciamento genético completo do material. Nosso objetivo é monitorar as variantes atuais e identificar as novas”, explica Santana.

O pesquisador acrescenta que a divulgação de comunicados semanais tem o intuito de oferecer instrumentos para que prefeituras e secretarias de saúde se preparem para combater as novas variantes de ocorrência mais prováveis em suas regiões. “É um projeto muito importante porque já é possível prever que algumas variantes vão provocar desfechos clínicos mais graves e serão mais transmissíveis. Com o monitoramento, as agências de saúde conseguem definir quais regiões são mais críticas e devem receber maior suporte hospitalar. Além disso, conhecer as variantes predominantes em cada região é essencial para o planejamento dos esquemas vacinais locais", argumenta o professor.

O Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais (OViGen) é financiado pelo Programa Laboratórios de Campanha e pela Rede Corona-ômica, ambos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) do Governo Federal, e pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). 

O boletim atualizado sobre as variantes do estado é divulgado às quintas-feiras, no site do Programa de Pós-graduação em Genética do ICB.

Texto de Luana Macieira

Fonte

Assessoria de Imprensa UFMG

Serviço