Volume de arquivos gerados na pandemia aflige estudantes e profissionais, relatam especialistas da UFMG

Arquivamentos na nuvem e nos dispositivos desafia a gestão de informações e de memórias afetivas

Cerca de 40 milhões de estudantes brasileiros têm aulas em regime remoto, de acordo com o Data Senado. A virtualização das atividades de ensino multiplicou consideravelmente o número de arquivos gerados nos mais diversos formatos (texto, áudio, vídeo, slides etc.). Trabalhadores em todo o mundo também atuam em casa e, por isso, aumentou a produção de arquivos digitais, tanto pessoais quanto profissionais e acadêmicos. A questão preocupa especialistas da UFMG.

Segundo os pesquisadores, o resultado desse movimento tem sobrecarregado a nuvem, como chamamos o espaço de armazenamento virtual de arquivos, e os dispositivos. Excesso de e-mails não lidos, avisos de que o funcionamento do celular está comprometido pela falta de espaço e a dificuldade de lidar, nos equipamentos pessoais, com arquivos privados e profissionais são outras consequências do fenômeno. 

O problema afeta até mesmo especialistas da área de ciência da informação, como a bibliotecária Fernanda Almeida, da UFMG. “Nos últimos dias, o Google Drive está cheio, o iCloud está cheio, aí a gente começa a ficar meio desesperada. Comecei a selecionar algumas coisas para tirar da nuvem e salvar em drive físico externo", relata. 

Impactos da pandemia na gestão da informação

Para o professor Ricardo Rodrigues Barbosa, do Programa de Pós-graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, além dos agravos na saúde pública e das questões sociais e econômicas, a pandemia também impacta a gestão de informações. O pesquisador afirma que o contexto global de trabalho e estudo remoto promoveu mudanças que, em muitos casos, serão definitivas. “Estamos aqui, nesta entrevista, cada um na própria casa. As pessoas e as organizações terão que desenvolver a competência informacional, saber o que fazer com as informações e como elas ajudam tanto a tomar decisões quanto a entender o mundo”, explica Barbosa.  

O professor defende que pesquisas sejam realizadas para ajudar a traçar soluções informacionais para o mundo pós-pandemia. "Espaço para se armazenar nunca vai faltar, a humanidade sempre conseguiu resolver essa questão, mas precisamos aprender o que devemos armazenar e para quê", defende Barbosa em entrevista à TV UFMG. Assista:

Memórias cheias

“A gente salva a vida toda, né? Eu não apago praticamente nada." Muita gente certamente se reconhece no relato da professora da Escola de Ciência da Informação Benildes Maculan, que utiliza diversos serviços na nuvem para gravar arquivos e compartilhá-los com alunos. Às vezes, os serviços virtuais e os backups físicos avisam a professora e outros usuários que a “memória está cheia”. O que fazer nesse momento em que é necessário de apagar arquivos com valor até mesmo afetivo? 

De acordo com o psicólogo Cláudio Paixão, também professor da ECI, as pessoas hoje vivem cada vez mais o registro das experiências, considerado até mais importante do que a própria experiência. Com tanta memória afetiva guardada em arquivos digitais, a dificuldade para saber o que deletar tem gerado impasse. “Os afetos se misturam com o registro, por isso é difícil apagar uma foto, um vídeo”, explica Paixão. Da mesma forma que precisamos, em casos mais drásticos, formatar espaços de armazenamento digitais, o professor sugere que as memórias afetivas sejam formatadas por meio da psicoterapia e do tempo, que ajudam a não sentir mais dor ao acessar, na mente, determinadas recordações. 

Como melhorar a gestão dos arquivos?

O diretor adjunto de Tecnologia da Informação da UFMG, Carlos Alfeu Furtado da Fonseca, sugere dicas práticas para armazenar arquivos:

* Seja crítico em relação à necessidade futura e à originalidade da sua imagem estática ou vídeo;

* Evite guardar cópias dos arquivos originais, duplicando os registros;

* Privilegie o uso de serviços em nuvem pública (de preferência gratuita), para armazenar vídeos e assuntos particulares;

* Tenha cuidado com a preservação de dados institucionais dentro da infraestrutura de TI da Universidade por razões legais, de segurança e privacidade;

* Desanexe arquivos enviados por e-mail, guardando somente os necessários, e depois apague as mensagens;

* Organize diretórios (pastas) por assunto ou por data, para facilitar futuras buscas;

* Se possível, dê preferência a formatos de qualidade inferior, pois ocupam menos espaço;

* Classifique as informações na entrada (momento de salvar);

* Não baixe automaticamente imagens e vídeos nos aplicativos de comunicação e salve esses arquivos automaticamente na memória do dispositivo;

* Faça visitas frequentes a sua área de armazenamento e elimine o que se revelar desnecessário;

* Vídeos são os grandes vilões do consumo de área de armazenamento. É preciso ser ainda criterioso em relação a esses arquivos.

A UFMG mantém parceria com a Microsoft, empresa que disponibiliza acesso gratuito ao Office 365 (em versão de uso on-line) e 1 TB gratuito de armazenamento na nuvem via One Drive. A DTI mantém um tutorial em seu site com informações sobre acesso a esses serviços.

Equipe: Ruleandson do Carmo (produção e edição de conteúdo), Yves Vieira (produção) e Marcelo Duarte (edição de imagens)

Assessoria de Imprensa UFMG

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