Pesquisa e Inovação

BH, 125 anos: pesquisa mostra como a Avenida Afonso Pena preservou sua identidade

Dissertação da pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo é tema do novo episódio do ‘Aqui tem ciência’, da Rádio UFMG Educativa

Avenida Afonso Pena existe desde a fundação de Belo Horizonte, em 1897.
Avenida Afonso Pena remonta à fundação de Belo Horizonte, em 1897Foto: Arquivo PBH

Há 125 anos, quando Belo Horizonte foi inaugurada, a Avenida Afonso Pena já aparecia como eixo do projeto de uma cidade planejada. Na época, ela se estendia do Mercado Central, localizado onde hoje fica o Terminal Rodoviário da Praça Rio Branco, até a Avenida do Contorno. Conforme a cidade cresceu, a Afonso Pena também foi estendida e modificada, sem perder sua importância. 

Em sua dissertação de mestrado, a arquiteta Tatiana Pimentel lista as razões que fazem da Avenida Afonso Pena, há mais de um século, um dos locais mais importantes de Belo Horizonte, mesmo depois de passar por mudanças.

Um dos aspectos centrais da pesquisa é a noção de identidade. A pesquisadora trabalhou com duas variações desse conceito. A primeira é a identidade territorial, a parcela da identidade formada pelo contato das pessoas com os espaços que ocupam. A outra, a identidade espacial, não diz respeito aos sujeitos, mas ao próprio espaço. São os significados, sentidos e valores que as pessoas associam a um lugar. Os dois conceitos têm em comum o fato de que eles só existem porque as pessoas habitam e se relacionam com o espaço.

Estabelecidos esses dois conceitos, a pesquisadora observou que a identidade espacial da avenida continua muito forte, tendo em vista que permanece sendo uma via muito conhecida e usada pela população da cidade para trabalhar, se divertir, consumir cultura e fazer compras. 

Tatiana Pimentel: identidade perene se deve às características gerais da Afonso Pena, e não aos monumentos da avenida.
Tatiana Pimentel: identidade perene se deve às características gerais da Afonso Pena e não aos monumentos da avenidaFoto: acervo pessoal

A autora sugere que, embora a Afonso Pena tenha se modificado, principalmente a partir do processo de verticalização iniciado na década de 1930, e vários ícones urbanos tenham sido substituídos ou retirados da avenida, os elementos identitários não foram perdidos. Quando esses elementos eram removidos, outros tomavam seu lugar, com a mesma importância. 

Tatiana Pimentel conclui que a perenidade simbólica da Avenida Afonso Pena tem menos a ver com a manutenção ou substituição dos ícones urbanos e mais com aspectos gerais da avenida, como sua direção, saindo do Hipercentro até a Serra do Curral, sua dimensão monumental e sua localização central na cidade. 

A arquiteta argumenta que, embora a identidade da avenida se mantenha após várias transformações, isso não significa que preservar monumentos e conjuntos arquitetônicos seja desnecessário. Ela reconhece que novidades surgem e espaços se modificam, mas a arquitetura compõe a memória e a identidade de muitas pessoas. Assim, preservar espaços, monumentos e ambientes assegura que a memória e a identidade não se percam com o passar do tempo. 

Ouça o programa:


Raio-x da pesquisa

Título: Identidade sociedade-espaço: transformação e permanência na Avenida Afonso Pena

O que é: Dissertação de mestrado que apresenta razões pelas quais a Avenida Afonso Pena, principal via de Belo Horizonte, tem sido tão importante para a população nos 125 anos de existência da cidade, mesmo depois de passar por mudanças. A conclusão é que a identidade da avenida tem mais relação com elementos como seu tamanho, sua localização e topografia do que com os ícones arquitetônicos. 

Pesquisadora: Tatiana Pimentel

Programa de Pós-Graduação: Arquitetura e Urbanismo

Orientador: Professor Flávio de Lemos Carsalade

Ano da defesa: 2022