Pesquisa e Inovação

Estudo vai indicar áreas prioritárias para conservação ambiental

Distribuição espacial e novas pressões antrópicas sobre ecossistemas em Minas Gerais são avaliadas por pesquisadores do ICB

Serra do Espinhaço, uma das áreas protegidas em Minas Gerais
Serra do Espinhaço, uma das áreas protegidas em Minas Gerais João Marcos Rosa

Definido no início dos anos 2000, o conjunto de áreas preservadas em Minas Gerais está em processo de revisão. Equipe de pesquisadores da UFMG participa do trabalho, que inclui oficinas com especialistas de áreas diversas e prevê reuniões com comunidades tradicionais para identificar onde devem ser investidos recursos para conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

O professor Adriano Paglia, do Departamento de Biologia Geral do ICB, explica que atualmente há mais informações disponíveis sobre a distribuição espacial da biodiversidade no estado – devido a esforços de coleta, amostragens e identificação de espécies – assim como uma crescente pressão das atividades humanas sobre os recursos naturais.

Adriano Paglia: projeto é consistente e fundamental para Minas Gerais
Adriano Paglia: revisão considera pressões antrópicasJúlia Duarte / UFMG

“O trabalho de revisão vem sendo feito à luz de novos conhecimentos biológicos e de técnicas de avaliação espacial, levando em consideração também a dinâmica de pressões antrópicas, como o avanço do desmatamento, das fronteiras agrícolas e de atividades como mineração, construção de barragens, expansão imobiliária e urbanização desordenada”, descreve o professor.

Em sua opinião, a definição das áreas para conservação é “um compromisso, com a sociedade atual e as futuras, não apenas para proteção da fauna e da flora, mas também de benefícios ambientais que esses ecossistemas íntegros proveem”.

Consórcio
O projeto Áreas prioritárias: Estratégias para conservação da biodiversidade e dos ecossistemas em Minas Gerais tem a coordenação institucional do Instituto Estadual de Florestas (IEF), com apoio do projeto de Proteção da Mata Atlântica em Minas Gerais (Promata II). A parte técnica é desenvolvida por meio de parceria entre a UFMG e as organizações não governamentais WWF-Brasil e Fundação Biodiversitas.

“Não se trata de um projeto acadêmico, mas de entrega de produto que pode se tornar um instrumento de política pública ambiental”, observa Adriano Paglia, lembrando que a versão anterior do mapa de áreas prioritárias da biodiversidade de Minas Gerais ofereceu subsídios para a criação de áreas protegidas, unidades de conservação, investimento em restauração ambiental e estabelecimento de corredores ecológicos.

Segundo Paglia, há uma enorme biodiversidade no estado, distribuída em quatro grandes ecossistemas ou biomas – mata atlântica, cerrado, caatinga e campos rupestres. “É necessário levantar e reunir informações sobre a intensidade das pressões, a tendência para evoluírem com o tempo, bem como os dados sobre onde estão as espécies que precisam de mais atenção”, informa.

A equipe da UFMG envolvida no projeto utiliza a metodologia de trabalho planejamento sistemático para conservação, que estabelece alvos de conservação, como espécies ameaçadas, regiões de alta relevância ecológica e tipos de ambientes ameaçados, e define custos e metas para conservação de cada um desses alvos.

Oficinas
Em dezembro passado, cerca de 90 pesquisadores de Minas Gerais e de outras regiões do país participaram no campus Pampulha de oficina que discutiu alvos e metas de conservação. De acordo com o IEF, na reunião “foram avaliados o conjunto de alvos propostos pela coordenação temática do projeto e as contribuições obtidas em consulta on-line que contou com a participação de especialistas nos diversos grupos taxonômicos em estudo”.

Em oficina anterior, participaram grupos de pesquisadores de temas como agricultura, irrigação, mineração e energia, para definir os custos de conservação, ou seja, o impacto e o peso de cada uma dessas atividades de origem antrópica sobre a biodiversidade.

Segundo Paglia, a consolidação dos dados será feita nos próximos meses. “A intenção é produzir os resultados preliminares e apresentá-los em uma nova oficina, mais ampla, de discussão dessa avaliação espacial, identificando onde estão as ameaças e os alvos de conservação”, informa o professor do ICB.

Também estão previstas reuniões em diversas regiões do estado, com o objetivo de ouvir setores além da academia, como comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhos e pequenas concentrações de populações humanas, sobre oportunidades para melhorar a conservação da biodiversidade em suas regiões.

“O projeto é consistente e fundamental para Minas Gerais. Gostaríamos de ver, até o fim deste ano, os primeiros resultados serem implementados”, comenta Adriano Paglia.

Áreas protegidas
Minas Gerais tem, segundo o IEF, diversas categorias de unidades de proteção integral, nas quais se admite apenas o uso indireto dos recursos naturais: estação ecológica, reserva biológica, parque estadual, monumento natural e refúgio de vida silvestre.

Há também unidades de conservação de uso sustentável, cujo objetivo é compatibilizar a conservação da natureza com o uso de parcela de seus recursos naturais: área de proteção ambiental, florestas estaduais, reserva de desenvolvimento sustentável e reservas particulares do patrimônio natural.

Ana Rita Araújo