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Em seu episódio 60, 'Outra estação' discute a prevenção do suicídio

Programa da Rádio UFMG Educativa encerra sua primeira temporada

Jovens de 15 a 29 anos são uma população mais vulnerável ao suicídio, segundo a OMS
Jovens de 15 a 29 anos representam um grupo mais vulnerável ao suicídio, segundo a OMS Imagem: Kylo | Unsplash

O suicídio está entre as 20 principais causas de mortalidade entre as pessoas de todas as idades, com mais de 800 mil mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso significa que um suicídio ocorre a cada 40 segundos, em alguma parte do planeta. Para cada uma dessas mortes, ocorrem outras 20. 

No Brasil, 17 em cada 100 pessoas já pensaram em tirar a própria vida em algum momento, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. O país é o oitavo em números absolutos de casos: são cerca de 30 registros por dia. E nem todos são notificados. 

Fenômeno complexo, presente ao longo de toda a história da humanidade, o suicídio é mais do que um problema de saúde mental. Trata-se de um comportamento determinado por fatores múltiplos, não só psicológicos, mas também biológicos, genéticos inclusivos, culturais, sociais e ambientais. A prevenção do suicídio é abordada no episódio 60 do programa Outra estação, da Rádio UFMG Educativa, que fecha a primeira temporada do programa:

A especialista entrevistada é a professora Stella Goulart, do Departamento de Psicologia da UFMG, psicóloga social com formação na área de saúde coletiva. Ela defende que a associação entre suicídio e problemas de saúde mental seja ampliada, na perspectiva de um problema psicossocial. A professora também ressaltou um novo fator de risco que veio à tona com a pandemia da covid-19: o luto enfrentado por milhares de pessoas que perderam seus entes queridos para a nova doença.

Jovens são mais vulneráveis

A OMS chama a atenção para perfis potencialmente vulneráveis ao suicídio. A população jovem, com idade dos 15 aos 29 anos, é a que mais preocupa as autoridades de saúde. O suicídio é a segunda principal causa de morte nessa faixa etária. A primeira é representada pelos acidentes de trânsito. 

A população LGBT+ é mais vulnerável a problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e ideação suicida. É o que mostra a pesquisa Diagnóstico LGBT+ na pandemia, realizada pelo coletivo VoteLGBT. Quase metade dos dez mil entrevistados relataram piora na saúde mental nesse período. A situação é particularmente preocupante entre homens trans. Outra pesquisa, realizada em 2015 pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT e pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG com 28 homens trans, constatou que 85,7% deles já cogitaram ou tentaram o suicídio. 

O Outra estação traz o depoimento de Ivoni Campos, mãe do pintor, dançarino, produtor e modelo Demétrio Campos. Homem trans, preto e morador da periferia, ele se suicidou aos 23 anos.

Sobreviventes e o luto

No segundo bloco, o programa aborda o ponto de interrogação que permeia a vida dos chamados sobreviventes, ou seja, familiares, amigos e outras pessoas próximas de quem comete o suicídio. A OMS estima que, para cada morte nessas circunstâncias, aproximadamente 135 pessoas ficam enlutadas ou são afetadas de alguma forma – o equivalente a 108 milhões de pessoas por ano. 

Também entrevistada, a psicóloga Luciana Carvalho Rocha tornou-se especialista em luto, suicídio e cuidados paliativos, depois da morte do marido, em 2015. Um sentimento comum entre os que ficam é a culpa, ou a sensação de que poderiam ter feito algo para evitar o que aconteceu. Ela ressalta que não é possível encontrar uma resposta para o suicídio, uma vez que o problema envolve um conjunto de fatores e não uma causa específica.

Para saber mais  

UFMG lança site sobre saúde mental

Cartilha Setembro Amarelo – Faculdade de Medicina da UFMG

Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o suicídio no mundo

Página da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre o Setembro Amarelo, com cartilhas informativas

Vídeo da Série CVV/Unicef – O que não fazer na prevenção do suicídio

Site do Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, com atendimento voluntário e gratuito a pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat, 24 horas, todos os dias.

Diagnóstico LGBT+ na pandemia, pesquisa feita pelo coletivo #VoteLGBT em parceria com a Box1824 e coordenada por pesquisadores da Unicamp e da UFMG

Pesquisa realizada em 2015 pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT e pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG, que entrevistou 28 homens trans

E-mail para contato e inscrições do Grupo de Apoio a Enlutados por Suicídio da UFMG (Gaes), projeto de extensão destinado a pessoas em luto por suicídio: gaesufmg@gmail.com

Produção

O episódio 60 do programa Outra estação é apresentado por Alessandra Ribeiro e Arthur Bugre. A produção é de Alessandra Ribeiro, Arthur Bugre e Beatriz Kalil. Os trabalhos técnicos são de Breno Rodrigues. A coordenação de jornalismo da emissora é de Paula Alkmim. Em cada episódio, o programa aborda um tema de interesse social. A primeira temporada completa está disponível nos aplicativos de podcast, como o Spotify.