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Em protesto contra medidas do governo, Carlos Jamil Cury recusa participação na cerimônia em que receberia prêmio da Capes

O professor emérito da Faculdade de Educação da UFMG Carlos Roberto Jamil Cury, um dos seis contemplados na oitava edição do Prêmio Anísio Teixeira (modalidade Educação básica), concedido pela Capes, recusou-se a comparecer à cerimônia de premiação, realizada ontem (quarta, 26), em Brasília.

Cury e o professor Dermeval Saviani, aposentado da Unicamp, enviaram carta ao presidente da Capes, Abílio Baeta Neves, em que esclarecem sua posição. Os professores afirmam que aceitam e agradecem a distinção de seus pares na comunidade científica, mas preferiram não participar da cerimônia em razão das “posições que temos tomado quanto às recentes medidas do governo que, a nosso ver, não fazem jus à dinâmica do Plano Nacional de Educação pelo qual tanto nos empenhamos”.

Os outros premiados são Magda Becker Soares, também emérita da FaE – que não compareceu porque voltava de viagem internacional –, Bernardete Angelina Gatti, professora aposentada da USP, Marcelo Miranda Viana da Silva, diretor geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), e Antonio Cardoso do Amaral, professor de matemática em escola pública do Piauí. Outras seis personalidades foram agraciadas na modalidade Educação superior.

Na carta assinada em conjunto, Jamil Cury e Dermeval Saviani ressaltam que, “ao aceitarmos esta indicação, não podemos nos esquecer de que estamos em posições opostas ao atual governo, e isto nos constrange diante de uma solenidade que pode significar apoio a medidas que venham a restringir o nosso compromisso com uma educação de qualidade”.

Eles destacam, entretanto, que a ausência da cerimônia “não nos retira o compromisso de continuarmos, dentro da pluralidade de concepções — como registra nossa Constituição –, na luta para assegurar a todas as crianças e jovens de nosso país uma educação pública com elevado padrão de qualidade considerada por nós um requisito necessário à consolidação de nossa ainda frágil democracia.”

Prejuízo
Em entrevista à Rádio UFMG Educativa, na manhã de hoje, o professor Carlos Roberto Jamil Cury reforçou o teor da carta enviada à Capes. Disse que se sente orgulhoso e honrado com a indicação de entidades científicas e profissionais e com a escolha de seu nome pelo Conselho Superior da Capes, que é um organismo de Estado, não de governo, e tem legitimidade para essa indicação.

Afirmou que não quis receber o prêmio de um governo “que está trazendo grande prejuízo para a educação escolar, sobretudo com a PEC 241, que congela financiamentos e acaba por abandona r o Plano Nacional de Educação. Nossa presença poderia parecer uma legitimação política da PEC 241 e da medida provisória do Ensino Médio”.

Ouça a entrevista que o professor Jamil Cury concedeu ao jornalista Vinícius Luiz:

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